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PRIMEIRO CIBERATAQUE FOI EM 1834

A palavra "ciberataque" atualmente evoca imediatamente a ideia de eventos ocorrendo na internet, mas sua história remonta a uma era anterior, nas décadas de 1960 e 1970, muito antes do surgimento da World Wide Web.

Para compreender o conceito do primeiro ciberataque, é necessário ampliar nossa percepção da palavra "ciberataque" além do contexto da internet e aplicá-la a formas primitivas de comunicação à distância. Sinais de fumaça, faróis, luzes refletidas e até mesmo pombo-correio desempenharam papéis essenciais na comunicação à distância desde tempos antigos. No entanto, à medida que as sociedades urbanas expandiram, surgiu a necessidade de métodos mais sofisticados e eficientes de transmitir informações rapidamente.


Em 1790, durante um período de guerra na França, cercada por forças militares inimigas, surgiu a necessidade urgente de transmitir mensagens com rapidez e eficácia. Foi nesse contexto que o inventor Claude Chappe desenvolveu uma solução revolucionária: o telégrafo. Esse sistema estabeleceu uma rede nacional de comunicação em grande escala e alta velocidade, por meio de uma série de torres interligadas, com distâncias de até 20 quilômetros entre elas. Cada torre era equipada com um conjunto de postes de madeira que podiam ser girados para criar quase 200 símbolos.


O telégrafo funcionava por meio de torres interligadas, nas quais cada torre possuía braços móveis de madeira no topo, e cada combinação desses braços correspondia a letras e números. Mensageiros observavam essas sequências a distância, usando telescópios, e transmitiam as informações de uma torre para outra. Apesar do esforço envolvido, os dados podiam ser transmitidos por toda a França em questão de minutos, embora não de maneira totalmente segura, como veremos a seguir.


MENTE EMPREENDEDORA


Assim como um estudante de pós-graduação da Universidade de Cornell criou um vírus em 1988 para congestionar partes significativas da internet em seus estágios iniciais, situações semelhantes também ocorreram no século XIX, uma vez que o sucesso costuma atrair atenção.


O sistema de telégrafo desenvolvido por Claude Chappe tinha a capacidade de transmitir sinais em intervalos de apenas 3 minutos, abrangendo distâncias superiores a 160 quilômetros em menos de 10 minutos. Isso representava uma melhoria considerável em relação aos meios de comunicação existentes na época, como a dependência de cavalos e outros métodos mais demorados. No entanto, é importante notar que o sistema tinha suas limitações, incluindo interrupções causadas por condições climáticas adversas e dificuldades de visibilidade em áreas extensas de água.


Apesar desses desafios, a rede de telégrafo de Chappe expandiu-se rapidamente por toda a França, abrangendo cerca de 500 estações ao longo de mais de 3 mil quilômetros e conectando as principais cidades do país. O sucesso da tecnologia foi tão notável que outros países, como Suécia, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, também a adotaram, fazendo adaptações para aprimorar a eficiência na comunicação.


Mesmo com o surgimento do telégrafo elétrico de Samuel Morse nos primeiros anos do século XIX, as redes de semáforos continuaram a operar na Europa. Em 1834, os irmãos e banqueiros François e Joseph Blanc exploraram essa situação para conceber um plano de invasão do sistema governamental. É importante observar que o telégrafo era utilizado exclusivamente para comunicações militares e administrativas, monitoramento de estradas e transporte, bem como comunicações diplomáticas.


O ATAQUE


Os dois banqueiros moravam em Bordeaux, a famosa cidade portuária às margens do rio Garonne, no sudoeste da França, onde havia um sistema autônomo de negociação de títulos da Bolsa de Valores de Paris.


Naquele tempo, Paris era responsável por estabelecer o ritmo de negociação em mercados de ações em outras cidades, como Bordeaux, que estavam sempre atrasados por alguns dias porque as informações sobre as mudanças no mercado levavam dias para chegar, deixando-os sempre em desvantagem.


Para tentar contornar os problemas, alguns homens chegaram a usar pombos-correio, mas eles se perdiam com frequência. Foi diante desse impasse que os Blanc tiveram uma ideia: e se usassem a rede de telégrafo?


Eles subornaram um operador de telégrafo na cidade de Tours, a quem as notícias sobre o mercado de ações eram entregues por um cúmplice em Paris. Sempre que havia uma oscilação de valores, esse cúmplice enviava um pacote para a esposa do operador do telégrafo. Se os preços estivessem caindo, o pacote continha meias, se estivessem subindo, continha várias luvas.


Nada disso levantava suspeitas porque a mulher era dona de um armarinho. Ela recebia o pacote, dava ao seu marido, que preparava o código correspondente a um funcionário envolvido no esquema e que era responsável por transmitir a mensagem criptografada pelo telégrafo até Bordeaux. Uma vez lá, ela seria lida e repassada aos Blanc por Pierre Renaud, ex-diretor do telégrafo de Lyon. Essa trama adiantou em até dois dias as informações, tempo o suficiente para que os irmãos criassem estratégias de negócio mais lucrativas e disparassem no mercado.


Para não serem descobertos pelas autoridades, os códigos foram feitos para parecerem erros ao acompanharem uma espécie de tecla "backspace". Ou seja, isso significa que o receptor, que não estava no esquema, deveria ignorar o caractere imediatamente anterior ao "backspace" e transmitir a informação privilegiada direta até o final da linha, onde Renaud estava pronto para ler e interpretar.


DESDOBRAMENTO


Por dois anos, os irmãos Blanc prosperaram no mercado de ações com seu esquema, até que o operador do telégrafo em Tours adoeceu e decidiu repassar o esquema para um amigo que assumiu seu lugar. Apesar de considerá-lo de sua confiança, o homem não pensou duas vezes antes de denunciar a quadrilha às autoridades.


Os banqueiros não foram condenados porque não havia punição prevista em lei para a manipulação de transmissão de dados naquela época, mas isso mudou após o episódio. O governo francês instituiu a lei que determinava que os meios de comunicação não deveriam ser usados para fins privados sem o consentimento do Estado.


“O caso dos irmãos Blanc é um lembrete de que, com qualquer nova invenção, as pessoas sempre encontrarão uma maneira de fazer uso malicioso dela”, escreveu Tom Standage à revista The Economist. “Este é um aspecto atemporal da natureza humana e não algo que a tecnologia possa ou deva consertar”.


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Fonte: The Economist



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Damiao Oliveira - COO/CCO - Somaxi Group

Certificação em Segurança Proteção e Privacidade de Dados

Colunista Tech Compliance

Jornalista - DRT 6688/SC

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